Primeiro Boletim Focus após o segundo turno aponta IPCA de 5,22%, Selic de 13,50% e dólar a R$ 5,34 em 2026. Expectativas para 2027 também pioraram.
3 de novembro de 2026 — Economia
O mercado financeiro elevou as projeções para a inflação, a taxa básica de juros e o dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dados constam do Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (3), o primeiro com expectativas coletadas após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro.
O levantamento mostra que os economistas passaram a esperar inflação mais alta, juros elevados por mais tempo e dólar mais caro. Ao mesmo tempo, reduziram as estimativas de crescimento da economia brasileira para 2026 e 2027.
Inflação sobe e ultrapassa limite da meta
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, passou de 5,19% para 5,22% em 2026.
O percentual está acima do limite de tolerância da meta de inflação, cujo centro é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Para 2027, a revisão foi ainda maior. A expectativa de inflação subiu de 4,34% para 4,76%, também acima do teto da meta.
As projeções para 2028 e 2029 foram elevadas para 4% e 3,98%, respectivamente.
Dólar tem forte revisão e pode encerrar 2026 em R$ 5,34
A estimativa para o dólar apresentou uma das maiores alterações do levantamento.
Antes das eleições, o mercado projetava a moeda americana a R$ 5,05 no encerramento de 2026. Agora, a previsão subiu para R$ 5,34, uma diferença de R$ 0,29.
Para 2027, a cotação esperada passou de R$ 5,15 para R$ 5,40.
A valorização do dólar pode aumentar os custos de importação e pressionar os preços de combustíveis, equipamentos e matérias-primas negociados internacionalmente.
Juros devem permanecer elevados por mais tempo
As expectativas para a taxa básica de juros, a Selic, também foram revistas para cima.
A previsão para o encerramento de 2026 passou de 13,25% para 13,50% ao ano.
Para 2027, a estimativa aumentou de 11,75% para 12,50%.
O mercado também elevou a projeção da Selic para 2028, de 10% para 11%, e para 2029, de 10% para 10,25%.
Juros elevados encarecem o crédito para consumidores e empresas, afetando financiamentos, empréstimos e investimentos produtivos.
Previsão de crescimento da economia cai
Enquanto as expectativas de inflação, juros e dólar aumentaram, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) foram reduzidas.
Para 2026, a previsão de crescimento passou de 1,80% para 1,76%.
Em 2027, a redução foi de 1,31% para 1,20%.
O resultado indica que os economistas consultados esperam uma expansão mais lenta da economia brasileira, em um ambiente de crédito caro e maior incerteza sobre os preços.
Mercado acompanha política econômica do próximo mandato
A revisão das expectativas ocorre após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.
Desde o resultado eleitoral, investidores acompanham as perspectivas para as contas públicas, os gastos federais e a condução da política econômica no mandato que começará em janeiro de 2027.
A preocupação com o equilíbrio fiscal, as oscilações cambiais e a trajetória da inflação está entre os fatores considerados nas análises do mercado.
O Boletim Focus reúne semanalmente estimativas de instituições financeiras e consultorias. Os números não representam decisões do Banco Central nem garantem que os indicadores alcançarão os valores projetados.
Ainda assim, a divulgação desta terça-feira revela uma mudança importante nas expectativas: o mercado passou a projetar um cenário de inflação e juros mais altos, dólar mais valorizado e crescimento econômico menor para os próximos anos.










































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