Após a reeleição de Lula, partidos reorganizam alianças para as presidências da Câmara e do Senado em 2027. Maior bancada do Congresso, PL busca ampliar influência nas duas Casas.
A disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal já movimenta os principais partidos políticos do país. Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), legendas de esquerda e do Centrão iniciaram uma articulação para garantir a permanência de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no comando das duas Casas.
As eleições internas estão previstas para 1º de fevereiro de 2027, quando os novos deputados e senadores tomarão posse.
O movimento ocorre em meio ao fortalecimento do Partido Liberal (PL), que conquistou a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado e pretende ampliar sua participação nas decisões do Congresso.
PT anuncia apoio a Hugo Motta na Câmara
A federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, oficializou apoio à reeleição de Hugo Motta em 27 de outubro, dois dias após a vitória de Lula no segundo turno.
A decisão ampliou a aliança que já reunia partidos do Centrão, como União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSD, Podemos e outras legendas.
PSB e PDT também declararam apoio à continuidade de Motta na presidência.
Segundo levantamentos divulgados pela imprensa, a articulação já reúne partidos com mais de 300 deputados, número superior aos 257 votos necessários para conquistar a presidência da Câmara, caso todos os parlamentares desses grupos mantenham o compromisso.
Como a eleição é secreta, entretanto, o apoio das direções partidárias não garante automaticamente os votos individuais.
PL reúne bancada para decidir posicionamento
Com 121 deputados eleitos, o PL terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027.
A legenda marcou uma reunião para esta terça-feira (3) com o objetivo de discutir se apoiará a reeleição de Hugo Motta ou se buscará uma candidatura alternativa.
O assunto divide integrantes do partido. Uma ala defende a negociação com Motta para garantir participação na Mesa Diretora e o comando de comissões importantes.
Outro grupo considera que o tamanho da bancada permite ao PL disputar diretamente a presidência da Casa.
Entre os nomes mencionados nas articulações da oposição está o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
A eventual entrada do PL no bloco de Motta, porém, enfrenta resistência de integrantes do PT, que defendem uma composição sem a legenda de Flávio Bolsonaro.
Senado terá disputa entre Alcolumbre e Rogério Marinho
No Senado, a articulação apresenta um cenário diferente.
Davi Alcolumbre pretende disputar a reeleição e conta com o apoio político do presidente Lula, além de negociações com partidos como MDB e PSD.
O PL, por sua vez, prepara o lançamento da candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição na Casa.
A legenda pretende apresentar oficialmente o nome de Marinho nesta quarta-feira (4), em um encontro com representantes de outros partidos.
O Novo sinalizou apoio à candidatura. O PL também busca adesões entre integrantes de PP, União Brasil, Republicanos e PSDB.
Com 81 senadores, são necessários 41 votos para conquistar a presidência do Senado. A votação também é secreta.
Lula declarou apoio à reeleição dos atuais presidentes
No dia 26 de outubro, um dia após vencer o segundo turno, Lula recebeu Hugo Motta e Davi Alcolumbre no Palácio da Alvorada.
Durante o encontro, segundo informações divulgadas pela imprensa, o presidente assegurou apoio político à recondução dos dois parlamentares.
A articulação busca construir uma base de diálogo entre o governo federal e o Congresso durante o próximo mandato presidencial.
O apoio também demonstra a reorganização das alianças partidárias após as eleições. Algumas legendas que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno agora participam de negociações envolvendo o governo Lula.
Presidência do Senado pode influenciar pautas relacionadas ao STF
A disputa pelo comando do Senado também envolve propostas defendidas pela oposição relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre elas estão mudanças nas competências da Corte e pedidos de impeachment de ministros.
O presidente do Senado possui atribuições importantes na condução dessas matérias, incluindo o encaminhamento de pedidos de impeachment de integrantes do Supremo.
Por isso, a escolha entre Alcolumbre e um candidato da oposição poderá influenciar quais propostas avançarão na próxima legislatura.
Eleições internas serão realizadas em fevereiro
A definição dos presidentes da Câmara e do Senado ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027.
Até lá, os partidos deverão intensificar as negociações por cargos, comissões e espaços nas Mesas Diretoras.
Embora Hugo Motta já tenha recebido o apoio formal de um amplo conjunto de legendas, o posicionamento do PL na Câmara ainda está em discussão.
No Senado, a articulação de Rogério Marinho representa uma tentativa da oposição de disputar o comando da Casa com Davi Alcolumbre.
O resultado dependerá dos votos dos parlamentares eleitos, que não estão obrigados a seguir os acordos anunciados pelas lideranças partidárias.










































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