O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajustou o Orçamento de 2026 para acomodar o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado a poucas semanas das eleições. A mudança terá impacto de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas ainda neste ano.
Com o aumento, que começa a ser pago em outubro, o valor mínimo destinado às famílias passa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio sobe dos atuais R$ 675 para cerca de R$ 777, segundo informações do Ministério do Planejamento.
Governo encontrou espaço com revisão de outras despesas
Para bancar o aumento, a equipe econômica revisou para baixo projeções de despesas obrigatórias. Entre elas estão gastos com Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC), folha de servidores e subsídios.
Somente a estimativa de despesas previdenciárias foi reduzida em cerca de R$ 11,5 bilhões. Com essa revisão, o governo afirma ter encontrado espaço fiscal para absorver o custo adicional do Bolsa Família.
O reajuste foi anunciado em 17 de setembro, na reta final da campanha eleitoral. Segundo o governo, porém, o percentual corresponde à recomposição da inflação acumulada medida pelo INPC e tem como objetivo preservar o poder de compra das famílias beneficiárias.
Projeção de déficit aumenta
Ao mesmo tempo, a equipe econômica revisou para cima a projeção para o resultado das contas públicas em 2026. Considerando o déficit efetivo antes das deduções autorizadas pelas regras fiscais, a estimativa passou de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões.
Para efeito do cumprimento da meta fiscal, porém, algumas despesas podem ser retiradas desse cálculo. Com essas exclusões, o déficit considerado para a meta fica dentro dos limites previstos pelo arcabouço fiscal.
O governo também reduziu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões o volume de despesas que permanecem sob contenção no Orçamento.
Reajuste terá impacto maior em 2027
O peso da medida será ainda maior no próximo ano, quando o reajuste valerá durante os 12 meses. A estimativa é de um custo adicional de aproximadamente R$ 22 bilhões a R$ 22,7 bilhões em 2027. Como esse aumento não estava contemplado originalmente na proposta orçamentária enviada ao Congresso, o governo terá de fazer novos ajustes.











































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