Estimativa para a reforma tributária supera os 27% cobrados na Hungria e acende alerta sobre os impactos para consumidores e empresas.
3 de novembro de 2026 — Economia
O Brasil poderá ter a maior alíquota-padrão de imposto sobre consumo do mundo com a implementação da reforma tributária. Uma nova projeção indica que a cobrança conjunta dos tributos criados pelo novo sistema poderá chegar a 30,05%, superando os 27% aplicados atualmente pela Hungria.
A estimativa ganhou força após o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovar, em 28 de outubro, o cálculo de referência de 11,3468% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), imposto federal que substituirá o PIS e a Cofins.
Somado aos 18,7% estimados para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, o percentual brasileiro poderá alcançar aproximadamente 30%.
Brasil poderá ultrapassar países europeus
Caso a projeção seja confirmada, o Brasil ultrapassará a Hungria, que atualmente possui a maior alíquota-padrão de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A diferença também será significativa em relação à média da organização, estimada em 19,4%.
Veja a comparação:
| País | Alíquota-padrão |
|---|---|
| Brasil (projeção) | 30,05% |
| Hungria | 27% |
| Finlândia | 25,5% |
| Dinamarca | 25% |
| Suécia | 25% |
| Croácia | 25% |
O percentual brasileiro ainda não é definitivo e dependerá da definição das alíquotas previstas na reforma tributária.
Exceções aprovadas pelo Congresso elevam alíquota geral
Um dos fatores que explicam a projeção elevada é a quantidade de produtos e serviços beneficiados por isenções e reduções de impostos.
Durante a regulamentação da reforma, o Congresso Nacional aprovou tratamentos diferenciados para diversos setores da economia.
Produtos da cesta básica nacional, por exemplo, terão alíquota zero. Serviços de saúde e educação contarão com redução de 60%, enquanto determinadas categorias de profissionais regulamentados terão desconto de 30%.
Essas exceções reduzem a arrecadação sobre os setores beneficiados. Como o novo sistema foi planejado para preservar a arrecadação total, a alíquota-padrão aplicada às demais atividades precisa compensar parte dessa diferença.
Consumidores poderão sentir impactos nos preços
A possibilidade de uma alíquota superior a 30% gera preocupação sobre os efeitos da reforma tributária no custo de produtos e serviços.
Especialistas apontam que empresas prestadoras de serviços podem enfrentar mudanças importantes, especialmente aquelas que possuem despesas elevadas com mão de obra.
Isso ocorre porque o novo sistema permitirá o aproveitamento de créditos tributários sobre determinadas compras e despesas empresariais, mas os salários não geram esses créditos.
Entretanto, uma alíquota de 30% não significa que todos os preços aumentarão nesse percentual.
Os novos tributos substituirão impostos que já existem, e o impacto final dependerá das regras aplicáveis a cada atividade, dos créditos tributários disponíveis e da tributação atualmente incidente.
Reforma tributária começará a ser implementada em 2027
A transição para o novo sistema tributário já começou em 2026, com a fase de testes da CBS e do IBS.
A partir de janeiro de 2027, a CBS começará a substituir os tributos federais sobre o consumo.
Já o IBS será implementado gradualmente, substituindo o ICMS e o ISS ao longo dos próximos anos.
A transição está prevista para terminar em 2033, quando o novo modelo entrará integralmente em vigor.
Senado ainda terá que definir alíquota
O cálculo aprovado pelo TCU será encaminhado ao Senado Federal, responsável pela definição da alíquota de referência da CBS.
O percentual de 18,7% atribuído ao IBS também permanece como estimativa, e não como alíquota definitiva.
A reforma tributária tem como principais objetivos simplificar a cobrança de impostos, reduzir a tributação em cascata e aumentar a transparência do sistema.
No entanto, a possibilidade de o Brasil alcançar a maior alíquota-padrão de imposto sobre consumo do mundo deverá manter o debate sobre os efeitos da reforma na economia, na competitividade das empresas e no orçamento das famílias.










































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