Ex- Prefeito afirma que nenhum candidato conquistou a maioria absoluta nas urnas; anulação de mais de 274 mil votos de Anthony Garotinho pelo TSE alterou o resultado e garantiu a eleição de Ruas.
Rio de Janeiro, 4 de novembro de 2026 — O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), voltou a questionar o resultado da eleição estadual e defendeu a realização de um segundo turno para governador. Em vídeo publicado nas redes sociais na terça-feira (3), o político contestou a declaração de vitória de Douglas Ruas (PL), beneficiado pelo recálculo dos votos após uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A controvérsia envolve a anulação de 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura foi rejeitada pelo TSE quatro dias depois do primeiro turno.
Com a exclusão desses votos, Douglas Ruas ultrapassou a marca de 50% dos votos válidos recalculados e foi declarado eleito governador do Rio de Janeiro.
Paes afirma que nenhum candidato alcançou a maioria absoluta
Na manifestação divulgada nas redes sociais, Eduardo Paes argumentou que o resultado inicialmente registrado nas urnas deveria levar à realização de uma nova votação entre os dois candidatos mais votados.
Segundo o prefeito, a Constituição estabelece a necessidade de segundo turno quando nenhum concorrente conquista a maioria absoluta dos votos válidos.
Paes também criticou a situação jurídica da candidatura de Anthony Garotinho, afirmando que havia alertado durante a campanha sobre os impedimentos enfrentados pelo ex-governador.
Garotinho teve sua candidatura rejeitada em razão de uma condenação por improbidade administrativa, conforme a decisão relatada pela imprensa.
Entenda os números da eleição no Rio
Antes da anulação dos votos de Garotinho, os resultados da disputa pelo governo estadual apresentavam o seguinte cenário:
- Douglas Ruas (PL): 4.271.199 votos — 49,27%.
- Eduardo Paes (PSD): 3.706.984 votos — 42,76%.
- Anthony Garotinho (Republicanos): 274.411 votos, posteriormente anulados.
Nesse cenário inicial, nenhum candidato havia ultrapassado a marca de 50% dos votos válidos.
Entretanto, após o TSE rejeitar a candidatura de Garotinho por cinco votos a dois, os votos atribuídos ao ex-governador foram retirados do cálculo.
A mudança elevou o percentual de Douglas Ruas para aproximadamente 50,9% dos votos válidos, permitindo sua declaração como eleito ainda no primeiro turno.
Decisão do TSE está no centro da controvérsia
A discussão envolve os efeitos da anulação dos votos sobre a definição do resultado eleitoral.
Pela legislação eleitoral, votos atribuídos a candidaturas consideradas inválidas podem ser excluídos do cálculo dos votos válidos, conforme a situação jurídica do registro.
No caso do Rio de Janeiro, essa exclusão modificou os percentuais dos candidatos e permitiu que Douglas Ruas alcançasse a maioria absoluta após o recálculo.
Eduardo Paes, por outro lado, defende que a situação merece uma nova análise, considerando que a maioria absoluta não havia sido alcançada no resultado inicialmente divulgado.
A declaração do prefeito expressa uma contestação política e jurídica, mas não altera, por si só, o resultado oficial estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Paes explica silêncio após a decisão
O prefeito também comentou por que demorou a se manifestar publicamente sobre a controvérsia.
Segundo ele, a decisão de permanecer em silêncio teve relação com a eleição presidencial, realizada no mesmo período.
Paes afirmou que não queria que a disputa jurídica no Rio interferisse no debate nacional e preferiu aguardar o encerramento do processo eleitoral presidencial para retomar o assunto.
Em sua manifestação, mencionou ainda a existência de eleições suplementares previstas pela Justiça Eleitoral para dezembro, em outros municípios brasileiros.
A referência, entretanto, não significa que uma nova eleição para governador do Rio de Janeiro tenha sido convocada.
Rio permanece com resultado definido pela Justiça Eleitoral
Até o momento da manifestação de Paes, Douglas Ruas permanecia declarado eleito governador do Rio de Janeiro, conforme o resultado recalculado após a decisão do TSE.
A realização de um segundo turno dependeria de uma nova decisão judicial que modificasse os efeitos da anulação dos votos ou o resultado oficial da eleição.
A controvérsia coloca em discussão a diferença entre o resultado inicialmente registrado nas urnas e o resultado juridicamente válido após a exclusão dos votos de uma candidatura rejeitada.
Enquanto Paes defende uma nova votação, a eleição de Douglas Ruas permanece reconhecida pela Justiça Eleitoral.









































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