Decisão unânime do Copom ocorre em meio à alta das expectativas de inflação, valorização do dólar e incertezas sobre a política fiscal do governo federal.
Brasília, 5 de novembro de 2026 — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos iniciada em março.
Esta foi a primeira reunião do comitê após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro. A decisão ocorreu em um cenário de volatilidade nos mercados financeiros, desvalorização do real e aumento das preocupações com os rumos da política fiscal brasileira.
Banco Central aponta aumento das incertezas
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom destacou a deterioração das expectativas de inflação e a desaceleração mais intensa da atividade econômica.
O colegiado também citou fatores externos, como os conflitos no Oriente Médio, que pressionam os preços do petróleo, e a manutenção de juros elevados em economias desenvolvidas.
No cenário interno, as dúvidas sobre a condução das contas públicas contribuíram para ampliar a cautela dos investidores.
O Banco Central ressaltou que a política monetária continuará orientada pelo objetivo de trazer a inflação de volta à meta de 3%, cujo intervalo de tolerância vai de 1,5% a 4,5%.
Reeleição de Lula e reação do mercado
A manutenção dos juros ocorre após um período de instabilidade nos mercados financeiros.
Desde o segundo turno das eleições presidenciais, o dólar acumulou valorização expressiva diante do real, enquanto investidores passaram a demonstrar preocupação com a possibilidade de ampliação dos gastos públicos no próximo mandato de Lula.
Segundo dados divulgados pela CNN Brasil, a moeda americana passou de R$ 4,98 na véspera do segundo turno para aproximadamente R$ 5,45 no fechamento de quarta-feira (4), uma alta de 9,46%.
A reação do mercado influenciou as expectativas sobre a decisão do Copom. Antes da eleição, parte dos analistas projetava uma nova redução da Selic para 13,50%. Após o resultado eleitoral, aumentaram as apostas na manutenção dos juros.
Apesar da coincidência temporal, a decisão do Banco Central não foi atribuída exclusivamente ao resultado das urnas. O comitê apontou um conjunto de fatores econômicos internos e externos.
Inflação prevista para 2026 sobe para 5,6%
As projeções do Banco Central também foram revistas para cima.
A estimativa de inflação para 2026 passou de 5,2% para 5,6%, enquanto a previsão para 2027 subiu de 3,9% para 4,7%.
Ambas estão acima do limite superior de tolerância da meta de inflação, fixado em 4,5%.
A revisão indica que o Banco Central prevê dificuldades adicionais para controlar a alta dos preços nos próximos meses.
O que muda para o bolso dos brasileiros?
A Selic é a principal referência para os juros praticados na economia brasileira.
Quando permanece elevada, tende a encarecer empréstimos, financiamentos imobiliários, crédito para empresas e operações de consumo parcelado.
O cenário também pode reduzir o ritmo dos investimentos produtivos e dificultar a expansão da atividade econômica.
Por outro lado, juros mais altos são utilizados pelo Banco Central para conter a inflação, ao desestimular parte do consumo e da demanda por crédito.
Para quem investe em aplicações de renda fixa atreladas à Selic ou ao CDI, a manutenção da taxa tende a preservar a atratividade desses investimentos, embora a rentabilidade efetiva dependa das condições de cada produto.
Próxima decisão será em dezembro
O Copom voltará a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro.
Até lá, o Banco Central deverá acompanhar os indicadores de inflação, a evolução do câmbio, o desempenho da economia e as sinalizações do governo sobre a política fiscal para 2027.
O comunicado desta quarta-feira não antecipou quando os cortes de juros poderão ser retomados.
Com a Selic mantida em 13,75% ao ano, o Brasil entra na reta final de 2026 com juros elevados e expectativas de inflação acima da meta, enquanto o mercado aguarda definições sobre a política econômica do próximo mandato presidencial.








































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